Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

insatisfação

Eu queria todo dia:
Fazer um desenho que eu gostasse, escrever um texto que eu amasse, visitar um amigo de quem eu sentisse falta, comer algo que eu não pudesse viver sem, viver em um país de que me orgulhasse, visitar um lugar da qual jamais me esquecesse, poder me deitar sem me sentir culpado por ter algo que ainda precisa ser feito. Mas parece que está tudo ao contrário.


digs: Onde tudo começou...

Algumas pessoas ando me cobrando o resultado do projeto Post Zero e com razão, já fazem vinte dias em que fiz a proposta e até agora nada. A demora se deve aos poucos participantes que recebi. Aguardei uns dias pelos interessados, mas como poucas pessoas toparam a idéia eu me vi obrigado a repensar o projeto inicial. Adaptação é a chave da sobrevivência, certo? Garanto que a idéia não morreu, está apenas em fase de ajustes. Em breve vocês verão o resultado disso. Se alguém quiser participar, ainda dá tempo, é só seguir as instruções do link acima.


Terça-feira, 15 de Julho de 2008

Police On My Back

É estranha a nuvem da areia que se esparrama pela ampulheta do tempo. Minha visão se turvava, hora mostrando a figura sisuda de um rapaz de longos cabelos negros, olhos puxados e desconfiados, sempre calçando coturno e com as mãos nos bolsos da calça, onde tilintavam os anéis de uma corrente, ora mostrando o japonês de cabelos curtos, sorridentes em roupas esportes que tentavam em vão disfarçar que estava um pouco acima do peso. Dez anos separavam uma imagem da outra e tudo o que conseguia afirmar é o mesmo jeito honesto de falar, as mesmas piadas cruas de quem não tem segredos em mente. Dez anos haviam se passado e diante de mim estava o mesmo amigo de antes, do mesmo jeito, apenas... diferente, de casca castigada e temperamento lapidado. Mas ainda o Wellington.
Fiquei feliz em vê-lo. Logo de início trocamos um amistoso abraço daqueles que confirmam a presença que os olhos não fazem real. Logo de cara, duas piadas sobre coisas passadas, anedotas de quando o mundo era mais simples, em que um real no bolso e um dia de sol era o suficiente para longas aventuras de bicicletas e gargalhadas vândalas espalhadas pelo asfalto. Estava aberto um tunel do tempo, um ponto focal para um universo que já havia se empalidecido em minha lembrança, cheio de idiotices feitas por nada, orgulhos secretos que não se contavam para os pais. Dei-me conta de já havia sido um adolescente encrenqueiro, torrnara-me um moço pacato e agora já era um homem tranqüilo o suficiente para surpreender ao falar dos velhos tempos.
A visita durou algumas horas, poucas, se comparada com os anos de ausência. Ofereci ao meu amigo pousada, ficasse o tempo que quisesse, não precisava se preocupar. Ele recusou o convite com longos agradecimentos, era hospede na casa de outras pessoas, elas que ficassem com todo o trabalho.
Para mim não é trabalho nenhum, argumentei. Mas ele sorriu, irredutível, já havia combinado, agora era melhor voltar a casa dos seus anfitriões. Fomos caminhando até o ponto, falando sobre as tristezas deste país quando se chega de outro lugar, mas também das alegrias que se esparramam sob as palmeiras de sabiás cantantes. O Brasil é ruim, mas é bom. Concluímos. Esse povo não merece os governantes que têm e que se foda o dito popular.
Wellington entrou no ônibus prometendo voltar outro dia, com mais calma, e eu fiquei feliz em saber que esse dia não levaria outros dez anos. Caminhei de volta para casa tropeçando em buracos na calçada e com medo que a viatura da polícia, resolvesse me parar, implicando com o meu cabelo. Por instinto bati no bolso procurando a carteira. Nada. Nenhum documento entre eu e a cadeia. Tentei lembrar se no meu tempo a polícia era menos assustadora, ou se eu era mais corajoso. Baixei a cabeça para poder rir dos próprios pensamentos. Nos fones de ouvidos, The Clash tocava “Police On My Back”. Não havia mais nada a dizer.


Domingo, 6 de Julho de 2008

Blogueiros Malvados



Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

Não morra com a cara na merda

Sempre soube que esse momento chegaria. Ouço o vento pelas ruas como uma tênue música de ninar tentando me arrastar para o mundo dos sonhos. O suor arde em meus olhos, mas eu não pisco. Não posso piscar. Tento imaginar que continuo na fazenda, atirando em latas. Mas latas não atiram de volta. Latas não gritam de dor. Latas não tem família para chorar sua morte. Meus dedos estremecem um pouco e fico imaginando se terei coragem. Talvez eu devesse apenas esperar pelo impacto da bala. É tão mais fácil morrer... não é preciso mover um dedo, não é preciso pensar em nada. Basta o tempo de uma prece... as vezes nem isso. Seu corpo golpeia o chão, levantando pó enquanto sua alma escapa do mundo e de repente tudo o mais deixa de existir.
Tudo cheira a bosta. Por um momento eu penso que a profecia de meu pai irá se realizar e eu vou morrer na merda. O sorriso se insinua pelos meus lábios sem que eu tenha forças para detê-lo. Uma mulher engole em seco enquanto se esconde atrás de cortinas. Cortinas seguram balas tanto quanto janelas seguram seus olhares. Eu vejo um sorriso em seus lábios e imagino como a minha vida poderia ter sido diferente. Bem, talvez não muito.
Arrependo-me da distração tarde de mais. Ouço a arma engatilhada parte de segundos antes de ouvir um disparo. Uma bala já está no ar, outra logo segue seu caminho. Sinto algo queimando em minha mão e só ao olhar para baixo percebo que eu já disparei, mas não rápido o suficiente. Algo me acerta na barriga como um murro e eu perco a força das pernas. A voz de meu pai volta a trovejar sobre meu destino no esterco e eu arrumo coragem para não cair ainda. Alguma coisa assobia na minha orelha e eu imagino os índios, falando com o vento. Meu dedo aperta o gatilho novamente, três vezes antes de eu conseguir me lembrar do que estava acontecendo. O chão se levanta em explosões de poeira e fragmentos de pedra. O sino da igreja toca uma encomenda pela minha alma. Eu consigo me esconder atrás de uma cocheira, mais caindo do que correndo e sinto algo quente melando minhas pernas. Acho melhor não olhar. Talvez seja sangue, talvez as fezes sujas de minhas tripas, ou talvez seja medo me fazendo mijar nas próprias calças. Não importa, não gosto de nenhuma das opções.
Eu abro o tambor da arma e mantenho a cabeça baixa enquanto ponho mais chumbo no lugar. Um cavalo relincha do outro lado da rua quando é atingido por um disparo. Minha visão fica turva. Lembro do tapa na minha nuca enquanto tentava manter a arma reta, com as duas mãos. "Atira! Vai atira!" O cavalo da fazenda relinchando de agonia era um sombrio acompanhamento para a voz rouca de meu pai. "Atira, seu merda! Você não serve para nada mesmo! Vai morrer na merda sem nunca ser ninguém!" As palavras e os relinchos do cavalo percorreram minha pele, congelando meus nervos e deixando minha mão firme. A arma se engatilha em minhas mãos, sem que eu sequer pense a respeito disso. Sinto um toque quente lambendo o meu rosto, mas já não me importo. Minha coragem se pinta nos quatro estampidos secos que me cobrem os pensamentos. Depois disso, só existe um ar coberto de uma fumaça tão densa quanto o silêncio onde ela flutua. Eu espero a névoa se dissipar dos meus olhos e vejo um cavalo caído do outro lado da rua, ferido por um tiro, morto por três das minhas balas. A quarta bala terminou no fim da rua; no peito do homem morto, com a cara na merda.
Publicado originalmente no coletivo TNTema.

Terça-feira, 1 de Julho de 2008

enamorados

enamorados © diego guerra

Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

Where is Matt?



Se eu tivesse viajando o mundo, também estaria dançando deste jeito...

Domingo, 29 de Junho de 2008

em crise

outro louco © diego guerra

AAARGH! Eu não consigo parar de fazer essas coisas!!!